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19/06/2004 05:53
Um texto que não se acaba.
A quem amar possa...
Dois olhares sobre Arraial
Abre os olhos, mas logo volta a fechá-los. Hoje o relógio não despertou, é gostoso acordar no silêncio. E esta manhã é mais calma e lenta. Abrem-se os olhos. E percebe que está nua. Com a mão sente as suas coxas, passa no púbis, no ventre, descansa nos seios e sobe pelo pescoço até a boca. Lembra-se do gozo que explodiu feito um sol dentro de si. E morde os lábios para não gemer de novo. Adormece.
A luz da manhã aquece a cama e dá o brilho vivo ao seu quarto. Ouve a respiração do [seu] homem, e chega mais perto para acertar sua respiração com a dele, como quem dá corda no relógio da vida. Observa cada fissura na pele, reconhece um a um os pelos da barba que a arranhou, e procura a sua pinta preferida na pele branca...
Mal pode acreditar que é ele deitado ali ao seu lado; mesmo depois de tanto tempo separados. Ele continua deitado em seu leito... Descansa os olhos desses pensamentos, e só percebe que adormeceu de novo quando vê que ele a está olhando. E sorri.
Tem um sorriso nos olhos, uma paz, sua respiração está sincronizada com a dela, um corpo que só respira. Ela nunca esteve tão linda quanto nessa manhã. A pele macia de suas coxas pousa entre as coxas dele.
Com as suas mãos ela o procura, sobe pelas coxas e já sente a manhã do seu corpo duro. Umedece... E puxa o seu corpo para sobre o corpo dela, e abre-se para que ele entre. E preencha o seu lugar, para que o seu dia nunca mais seja vazio.
enviada por mim
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