Hable Con Ella

27/08/2003 14:12
Você,

Tem uma frase no fim do filme Central do Brasil, da Dora, "tenho saudade de tudo...". Sempre me lembro dessa frase, ainda não sei o porquê. Mas é fato que sinto muita saudade das pessoas que conheço, e que conheci.

Não sei o que explica esse sentimento, mas se eu pudesse fazer um decreto sobre isso eu diria: fica proibido o cotidiano, que afasta as pessoas. A rotina é o que não deixa que encontremos as pessoas.

O dia-a-dia é uma máquina de triturar as possibilidades, os relacionamentos, as vontades, as aspirações, enfim... São antolhos que nos colocam. Disse para um amigo, que era difícil incluir as pessoas em nosso cotidiano.

Isso explica, em parte, o porquê as pessoas que gostamos se perdem pelo caminho, ou porque nos perdemos delas. Quando eu penso onde você mora, tão longe, me incomoda, fico com olhar perdido. Sou assim.

Não gosto de achar normal as coisas que não são boas. Eu não me acostumo às coisas que deveria me acostumar, simplesmente, não me conformo. E faço de tudo para mudar essa realidade de felicidades fictícias.

Por isso, eu sempre evito conhecer pessoas na internet, quem eu não vou ver, abraçar, ouvir a voz, olhar nos olhos... É muito cruel isso, as pessoas deixam em mim marcas indeléveis, é como se deixassem algo vivo em mim.

(Quando elas vão embora, sinto algo morto)

Sempre penso nas pessoas que eu gosto, mas lamento pelas que se perderam, ou por mim que me perdi delas, e as partes de mim que deixei nessas pessoas morrem. Não tenho medo de minha morte, mas ela tem um gosto horrível.

E saudade é isso: um gosto de morte.

Beijos,

Ti.

"Você fica eternamente responsável pelo que cativa."
Antoine de Saint-Exupèry


enviada por mim






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