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09/03/2007 23:09
"__ há um ano juntos, e já eu quero mais um!
ou melhor quero mais dois, arredonda pra dez!
dez décadas! quero envelhecer ao seu lado.
quero sua vida inteira...
__ e eu só quero, sempre, mais um segundo com você,"
___________
"borboleta
é um tipo de flor
q u e v o a ,"
__________
"pan pan pan pan
pan pan pan pan"
beethoven
________
"as asas
as asas
as asas as
asas as asas
asas as as asas
as
asas as as as as as
asasasasasasasasasasas
as
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s
a
s"
fênix
____
enviada por mim
01/02/2006 08:58
"And so it is..."
...Repousa o cansaço, a solidão, a espera, o tédio, a saudade do tempo. Sozinho, evito os momentos que posso me descobrir só. Não sei se a vida que criei para mim me satisfaz, ou melhor, nesses momentos descubro que não. Chega a consciência da mediocridade, da insignificante vida a que me apego... O que me salvaria?, uma poesia, um abrigo antiaério, um beijo...
p_a__r____t______i________r
.
.
.
Não me lembro de me sentir tão em paz. A agitação das crianças não me incomoda nem um pouco e, ainda, me tira meios sorrisos disfarçados a cada dez minutos. Percebo a vaga sensação de medo - o medo ancestral de se afastar aos poucos e, finalmente, partir - típico dos navegadores do mundo.
Estou sentada na poltrona de veludo azul do canto, ao lado dos meus livros, lugar que escolhi para ler, mas que acabou vencido pela cama. O vem e vai das crianças contrasta com minha pouca energia, observo sem inveja, olho a minha mão a folhear o livro e constato o tic tac corrosivo dos anos que passei aqui, lembro: A esperança é um dever ou seria um de vir? Minha memória me trai.
Troco as pernas, descruzo-as para acordá-las, me rio da minha condição absurda. Vestido largo, corpo que não me pertence. Viro as páginas do seu livro que só meus dedos lêem. Fito cega.
A mente me distrai e me senta no meio deles, no chão com o joystiIck nas mãos. O passado ressurge, rolo de rir quando perco outra vez. Jogam-se em cima de mim e gritam, gritam quando ganho. Grito também. Aperto os olhos com força. Ecos de uma velha canção que fala da felicidade que nunca mais tornarei a ter. Não me lembro de quando a solidão veio me acompanhar.
Meus irmãos discutem cinema e política como sempre, eu me abstenho como nunca. Sinto o cheiro do mar e me levanto, caminho sem pressa até a varanda. A solidão vem comigo. Meu cunhado, com sensibilidade, percebe meu olhar e aponta um veleiro branco e distante. Não quero o binóculo, obrigada. Prefiro assim, sem foco, sem detalhes.
Volta e meia alguém senta pertinho de mim, fica a me velar. Finjo que ouço, mas já parti, navego por portos desconhecidos. Aliás, sou a donzela, espero um herói coberto de sangue de piratas, que vem no seu veleiro branco.
Meu espírito de bruxa dança invisível ao lado do meu corpo podre, embalado pelos gritos. Hipnotizada pela orgia oceânica, sinto a névoa sinistra e perfumada do vitorioso. Na varanda, ilhada de vozes, flutuo como espuma no quebra mar, alma da vida, acordo para a eternidade singular nos braços dele, girando. A nitidez como que vejo, me cega para o que há aqui...
Um beijo na face me desperta com sorrisos. Troco imediatamente todos os anos de sonhos por aquele mããããããããe! sonoro que parece não precisar de fôlego. Sinto saudades nos braços que me abraçam, nas pernas que lhe sustentam em meu colo. Ah, que cansaço insuportável!
Ganho um pedaço de bolo na boca, suponho o último. Como bem devagar - memorizando, dividido em pedacinhos, oferecidos na boca com papéis divertidamente invertidos. Ele sorri, como se soubesse o que estou a pensar.
E penso em conceitos, princípios, caráter... Marcas que devo ter deixado em meus filhos...
Mas espero realmente é que tenham comigo aprendido a sonhar.
Sua Ana.
Casamento, lembranças e outras coisas fúteis
Construímos o tempo que passamos juntos, nossas mãos podem tocar o acúmulo das coisas vividas e amontoadas. Casamento é um namoro que se materializa no sinteco arranhado, no sofá tingido com macarrão alho e óleo ou no lençol que vai desbotando noite a noite... Na banguça dos primeiros dias na (nossa!) casa nova, no orgulho de ver as coisas se ajeitando, nos móveis que parcelamos, na cartinha do spc - nós vamos construindo o nosso tempo - nas mil lembranças do cotidiano, que marcam eternamente as coisas fúteis.
enviada por mim
10/01/2006 13:55
Ao acaso,
sorteei páginas do seu livro autobiográfico.
E li desesperadamente.
Perdi o sentido das palavras.
As palavras fizeram-me perder o sentido em mim.
Tentei me lembrar de ter vivido a sua vida antes.
Mas não.
Já não me recordava de ter vivido a minha.
Nada mais era familiar.
Meus olhos então se perderam
nas entrelinhas,
nas linhas desviadas,
nas portas entreabertas,
nas palavras escritas entre pernas
me perdi.
Porque não somos iguais,
nem opostos.
Somos o acaso, o desviar dos olhares, o desaperto do abraço...
O silêncio suspenso no suspiro negado.
Somos feitos do silêncio
(em sete palmos medido) que anuncia o feto morto.
Somos essa vida que não viveu um minuto,
sou sua biografia e você, minha morte.
Zzzzzzzz
lhe chamei,
lhe vi dormir
sem querer acordar...
precisei ir
e sei que volto.
se você dormir
mais e
mais...
com seus sonhos reticentes,
talvez não saiba
que estive fora,
que senti saudade
e que corri de volta
com medo de você ter partido outra vez...
e agora, já ao seu lado (de volta),
você ainda dormindo...
dou-lhe o beijo de alívio.
enviada por mim
23/12/2005 10:03
Desassossego
Desassossegada despedida
despedaça desejos.
Desvios
de vidas:
Deixar
de
deitar,
desdá,
desfaz,
destrata,
desmama.
Desfruta
dessa dor
de
desamar.
Desenha
de mim.
Desaba,
desabafa.
Desabitue-se
de amar.
Desabone-se
de doar-se.
Desabotoe-se
de pesares.
Descasa,
desacostume-se,
desafogue-se
desse afeto.
Descendência,
desdita.
Desculpe desaforos.
Desnevoe
desnecessários
desperdícios
de
desopilos.
Despiste despenhadeiros,
despose-me de novo,
desvirgine,
desmoçe,
destoe,
desonre.
Desvire de avesso
desvelos desvairados.
Desvende
desvão de mim.
Desvencilhe
destemperos.
Desterre déspotas,
despeitos.
Desove
despautérios.
Despelar?
Despodir?
Desatinos!
Desquedelhe-se
desgostoso de si.
descambe, desaprumado, desatento,
desajuizado, destrambelhado, desarrazoado!
desagrave, desamuame-me!
desabroche.
Desnudo e
desnutrido
desenhe descaminhos deslumbrantes
deslize e
destile-se
dentro de mim.
Desminta o
desamor,
desmiolado!
Rosa-dos-Ventos
Chico Buarque, 1969.
Pois transbordando de flores
A calma dos lagos zangou-se
A rosa-dos-ventos danou-se
O leito do rio fartou-se
E inundou de água doce
A amargura do mar
"Não fales palavras vãs.
Desfaze-te da vaidade triste de falar.
Pensa, completamente silencioso.
Até a glória de ficar silencioso,
Sem pensar."
Cecília Meireles
"Me escutas, Cecília?
Mas eu te chamava em silêncio
Na tua presença
Palavras são brutas"
Chico Buarque
enviada por mim
19/12/2005 09:22
Bilhete
Se tu me amas, ama-me baixinho
não o grites de cima dos telhados
deixa em paz os passarinhos
deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...
Mário Quintana
.Waking Life.
Só os predestinados
podem dar o abraço
mais íntimo,
sufocante
e úmido
do que o beijo dos amantes.
.sucinto.
conciso,
breve,
brisa,
curto,
compresso,
comprimido,
espaço,
parêntese,
sintético,
síntese,
veloz,
rápido,
econômico,
susto,
suspiro,
piscada,
queda,
vida,
chama,
ira,
amor,
memória,
nota,
bilhete,
baixo,
fino,
frágil,
eco,
volátil,
efêmero,
bola,
brigadeiro,
ponto,
vírgula,
vontade,
salto,
estar,
arrepio,
pulo,
paixão,
suicídio,
enviada por mim
03/09/2005 05:36
Cândida
A Cândida tem todas as respostas. Então meu trabalho é produzir as perguntas:
1. De vem a água que transborda a maré cheia?
2. Compare um tabuleiro do xadrez com um pano quadriculado. E me diga o tabuleiro xadrez é quadriculado? Ou o quadriculado, na verdade, deveria se chamar xadrez?
Por que chamamos um pano de linhas cruzadas de xadrez?
Questões que a humanidade precisa responder.
Em breve teremos mais
enviada por mim
30/08/2005 00:04
O pescador tem dois amor,
um bem na terra,
um bem no mar.
O bem de terra é aquela que fica
Na beira da praia quando a gente sai
O bem de terra é aquela que chora
Mas faz que não chora quando a gente sai
O bem do mar é o mar, é o mar
Que carrega com a gente
Pra gente pescar
Dorival Caymmi
Lu,
Minha linda!
Tive dois grandes amores na minha vida, duas paixões, duas pessoas que nasceram simplesmente perfeitas para mim e para o mundo.
Essa cartinha é um segredo, então leia baixinho, pois nunca disse isso a ninguém. Nunca revelei seus nomes, nunca talvez alguém já tenha suspeitado disso. Mas para você eu revelo. Em letras miúdas meus amores são Rê e você. Piegas, não?!
Se aqui fosse o Orkut eu diria:
A Lu é uma mulher inteligente, com ótimo senso de humor, apesar não saber contar bem uma história engraçada, ela não acredita no que eu digo é inteligente demais para isso -, mas é tão educada que até ri. Ela é linda, olhos de castanha do Pará, lábios carnudos e seios que animam até parada gay.
Ela não gosta de ser contrariada, odeia gente burra, mas não se importa com minhas besteiras. Ela entende de Cinema, Música, Literatura e Aloísio Carvão. Mas entende também de novela das oito, de Big Brother, de Cantareira e de vinho barato.
Ela usa bota, chale e chapéu. Faz maquiagem de cabaré, café e bolo que gosto. Chico Buarque morre de inveja dela e faz músicas que não chegam aos pés de estrelas que ela tem. Assim é a Lu, assim ela é mulher. Piegas, não?!
A Luciana gosta de Paulinho Tapajós, foi a única tiete no show dele em Niterói e tem muito orgulho disso. O sonho dela é ver uma parceria do Paulinho com Buarquinho. Mas como ela mesma diz, Paulinho nunca aceitaria... Que pena!
A Luciana pinta quadros, mora sozinha, é obcecada por um traficante, tatuador, cabeludo, mulherengo e estudante de auxiliar de enfermagem... Ai se os pais dela soubessem... Quebrariam o magrinho em dois. Ou mais pedaços. Ui.
Ela faz tudo isso, mas na verdade ela é poeta, cronista, romancista, frasista, romancista, dramaturga, escritora de recados de geladeira, de quadro de cortiça, de comentário em fotolog, blog e similares... Ela é capaz de escrever qualquer interessante, até bula de remédio concorreria ao Nobel se ela se dedicasse a isso.
Coitado do Garcia Marques, Saramago, Neruda e demais escritores... Os imortais morreriam de inveja, com direito a trocadilho, claro!
Ela quer fazer psicologia e é louca. Ela fez produção cultural, mas nem precisava ela já é um pratimônio mundial da cultura, por mim tombavam a Luciana, mas com cuidado para não machucar, claro.
Por essas e outras, às vezes, tenho certeza de que dois amores é um exagero para quem tem um amor como a Lu. Piegas, não?!
Ela acha que não faz muita coisa, faz tudo fazer sentido para mim. Mesmo que esse sentido seja diferente do que me ensinaram errado. Por isso eu simplesmente amo a Luciana.
enviada por mim
27/08/2005 02:16
Qualquer filosofia consola. Então, vamos a ela.
Filosofia de botequim
Primeiro tomo
(com direito a trocadilho, por favor).
Suicídio, capítulo II
Estou dividido entre o tédio de estar vivo e o vazio de não estar.
Parece que tanto faz.
Mas não é apenas tédio, é a insignificância.
Tenho que trabalhar, ligar pro meu pai, morar sozinho, ter um carro, tênis novo, arranjar uma namorada, ter filhos, ter um terno... Tenho que viver para suportar essas coisas e depois, ainda por cima, agradecer.
Apostamos tudo no vestibular, é o nosso futuro. Perdemos a namorada por isso, perdemos a aposta.
Suportamos a faculdade nas festinhas abafadas e nos braços de qualquer pessoa amada.
Corremos atrás de um emprego. Mas, na verdade, dá um alívio quando chega o fim-de-semana, agüentamos a vida nas férias que tiramos dela.
Onde somos chateados pela tevê, pela repetição de lugares ou pelo preço do sex on the beach. Aquela peça no teatro que tomei coragem de ir já saiu de cartaz.
Calculamos o tempo que falta para a aposentadoria. E aposentados esperamos a morte, vendo os netos se afligirem com o vestibular.
Até a morte, o evento mais eloqüente do meu dia, parece entediante demais...
Tanto faz se me calo ou se argumento por horas a fio, se pego em armas ou dou uma rosa. Parece que qualquer coisa que a gente faça é digna do esquecimento.
A maior aflição de hoje é o esquecimento de amanhã, o meu maior feito de amanhã pode ser desprezado na semana seguinte.
Então, sentirão falta de quê? Qual a eloqüência da morte?... NENHUMA. Ser esquecido, ou caluniado, ou canonizado, tanto faz.
Tanto fez.
A mediocridade dos dias esmaga nossos ossos, não suportamos o peso da consciência de sermos frágeis e insignificantes. Tudo que fazemos é transitório. Tudo que queremos é eterno. Nada satisfaz. Nem a morte.
Nada faz sentido, nem a vida. Nunca fez, isso desola.
As pessoas em busca de algum sentido latente aceitam a qualquer deus, uma predestinação ou uma alma gêmea para não precisar pensar em quem é. Simplesmente obedecem o "põnha-se no seu lugar", atuam nos seus papéis de bom aluno, bom pai, boa mulher, bom empregado, sim, senhor. E adormecem com essa falsa paz. Embora tenham medo do escuro.
A vida não ter sentido é, por outro lado, libertário. Porque ou vivemos aquilo que criaram para nós, ou escolhemos o que vamos fazer de nossas vidas.
E assim a mediocridade, o tédio e a insignificância não são mais necessários, nem o suicídio.
Viver é bom, partida e chegada,
solidão que nada.
Cazuza
vou terminar esse texto depois...
enviada por mim
26/08/2005 13:31
Filosofia de hospital
_ Então, você se perdeu de novo?
_ É, me perdi de novo.
_ É incrível, sempre se perde. Como você consegue se perder tão fácil?
_ Ora, é muito fácil, difícil é encontrar. Porque para acertar só tem um caminho, e para se perder tem todos os outros.
enviada por mim
20/08/2005 01:46
...
Mas dizem que tem gente que esquece das coisas ou que lembra errado...
Que o passado é uma espécie de plágio
(daquilo que realmente aconteceu).
Então, vamos a ele:
Suicídio, capítulo I
Namorado visita - na emergência - a namorada, uma suicída frustrada.
_ Oi, lindinha! Então quer dizer que você tomou uma caixa e meia de remédio para cólica? E achou que isso iria lhe matar. Nunca vi disso, seria a morte mais improvável da face da Terra.
_ (risos) Oi, amor, é verdade, ninguém nunca deve ter morrido disso. Tomei muito Buscopan, muito mesmo. Fiquei até com a barriga cheia d'água. Mas que droga... Não deu certo.
_ Ah, pense pelo lado bom, você nunca mais vai ter cólicas.
_ (sorri) Quem me dera, mas fizeram uma lavagem estomacal.
_ Então tem um outro lado bom, já que você gosta tanto de Buscopan, vai poder tomar todo mês.
_ Oba!
enviada por mim
11/04/2005 11:58
Cartão de aniversário para Ana Paula.
Ana Paula, lá dentro! Paula Fora! Paula dentro!
Lindinha!
Amor da minha vida!
Poxa, o tempo voa... 'Lhe conheci quando você tinha 15 aninhos...
Uma lolitinha endiabrada, ai, que saudade do Liceu...
A torre do colégio é testemunha das horas tórridas que passamos lá.
'Lhe conheci mocinha, lhe fiz mulher!
E ainda tinha quem dissesse que era tímida demais!... Tolinhos.
Depois você cresceu e ficou mais recatada, mais madura e mais experiente.
Fez faculdade, fez escola, se apaixonou (como se fosse a primeira vez, mas já era a milésima), superou quase tudo e hoje está trabalhando em Botafogo (com trocadilho - tem lugar mais apropriado para você?!) e aterrorizando criancinhas inocentes...
Aninha, você é a ninfomaníaca mais especial que conheço!
E esse é o meu testemunho da sua vida, muito amor, muitas amizades, muito gozo...
Ai, se toda mulher fosse como você... A vida seria mais gozada. Não haveria guerras, o horário de trabalho seria de 14h às 18h, os motéis fomariam o conglomerado econômico mais poderoso do mundo e a luxúria seria um elogio capital.
Beijinhos,
Ti.
Ps.: FELIZ ANIVERSÁRIO!!!
enviada por mim
18/10/2004 22:10
Amores serão sempre amáveis
Chico Buarque.
Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso
São bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo sendo errados os amantes
Seus amores serão bons
Chico Buarque e Edu Lobo.
Ainda não sabemos. Mas já sentimos.
Um personagem subterrâneo do Dostoiévski diz que a razão é limitada. Só toca aquilo que conhece. A emoção toca todas as coisas.
escrito antigo:
O cérebro é só massa cinzenta.
O coração é sangue.
É o sangue que corre o corpo todo
e conhece tudo
e se comunica com todos
e sabe de tudo,
recolhe tudo de todos,
e alimenta o cérebro parasita.
É o coração quem deve decidir.
O sangue sabe.
O cérebro só pensa.
enviada por mim
07/10/2004 04:24
Vestígios
Rabisco idéias em mil retalhos. Meto-os nos bolsos.
Ou melhor, cubro-me com essa estranha colcha de retalhos
e durmo.
Sonho com meu livro de fogo e sombra
e quando acordo esqueço-me dele.
Meus textos são isso,
apenas vestígios de um livro fantástico.
E, por isso, fico angustiado.
(Tenho memória intermitente, sei disso.
Mas sinto-me péssimo quando me lembram disso.)
Tenho mil textos, porque
agora pensar nela é inevitável.
Lembro-me dela entre fogo e a tora,
nas minhas horas que se consomem em sua espera.
Quando ela passa transbordam mil dórremis e fassoladós
e estabelece meu movimento estroboscópico no seu corpo desenhado.
Essa desconhecida
deixou todas as segundas com gosto e textura.
Esbanjou sorrisos
e decretou:
1º - Fica permitido esticar o fim-de-semana
sempre que a conversa for boa e a companhia indelével.
2º - Toda pessoa amável tem direito a ser amada incondicionalmente
pelo desconhecido apaixonado num bar qualquer da vida!
3º - Todo apaixonado por tudo merece um amor desconhecido.
Assim cosemos um retalho com nossa vida e saliva.
Aninha
esse texto ainda vai mudar e crescer...
Amar é sempre físico?
Sim.(Segundo Freud)
Sempre libido.
Amores
têm aromas
de amantes
de pele
entreaberta e úmida.
Mery,
ela é Música.
Leva o vulto teu.
Que a saudade
é o revés de um parto.
A saudade é arrumar o quarto
do filho que já morreu.
Chico
Ontem fizemos o pôr-do-sol, pela primeira vez, juntos. Fizemos errado. Ele sempre se põe, é verdade, mas nunca igual a esse dia. Teve nossa ajuda, uma expectativa e um suspiro. E dessa vez ele hesitou e quase não se foi. Quase.
Conversamos sobre nossas vidas juntos. Essa estranha caminhada sobre a Terra. E decidimos muitas coisas.Tudo errado, mas decidimos.
Ela e eu. Deixamos de ser: nós, sempre, certeza.e voltamos à mediocridade: eu, efêmero, dúvida.
Não somos mais verbos:
amamos
desejamos
gozamossem fim entre a pele e alma
Agora, somos um gosto de morte entre margaridas e girassóis roubados, no poente errado.
Clarice
Passamos uma noite inteira juntos, conversamos e fizemos roteiro de cinema, uma trilogia dessa vez. No fim ela leu suas poesias, de sete anos atrás, quando começamos a ficar. Mas fiz de conta que não gostei, só para irritar. E roubei uma.
Minhas personagens se encontram
em lugares distantes,
sempre. E errantes.
São contadoras de histórias,
fazedoras de contos.
Fazem de conta
que chegou ao fim.
Sherezade, das Mil e Uma Noites,
não se daria conta
de contar
uma só noite sem fim.
São dessas que perdem a ponta
e o fio da meada,
quando (de quantas em quantas)
gozam um e outro e depois dizem sim.
Mas é o fim.
Acreditam nisso
feito duas tontas
e não se dão conta,
que são personagens
desse conto sem fim
enviada por mim
23/09/2004 22:43
Infinito
Fiz uma coleção de textos sobre minha relação com a escola.
Coleção Escola, não recomenda para estudantes.
eXatas
Alguns professores não aprendem. Por isso, não ensinam.
Enquanto eles queriam saber qual o valor de X e quem é o Y, eu me perguntava quem sou eu e qual o meu valor.
Eles vinham armados de equações mirabolantes, com seus resultados (quase) exatos. Às vezes o X era 8, depois era 80, ou qualquer coisa entre as extremidades do infinito. O que, aliás, não passava de um 8 deitado. Uma exatidão estranha, que variava, imprevisível, incontável, imensurável e inexistente. Eu era assim também.
Sentia uma infinidade de coisas exatas. O amor, o tédio, a paixão, o pesar, a euforia, a solidão, a paz, a angústia, o tesão, a alegria... Era exatamente isso. Coisas inexatas. Eu me tornava uma incógnita a cada dia. Todos nós éramos x.
X poderia ser oito. Mas oito o quê!? X podia ser qualquer número e, pior, o número podia ser qualquer coisa. X era Tudo. Oito era Qualquer-coisa. E isso para mim não parecia muito EXATO.
Por isso fiz mil perguntas em sala de aula. Oito maças ou oitenta vacas? Oitenta beijos ou oito patas? Tanto faz, me diziam. Para a equação, para prova, para o pedaço de papel tanto faz. Mas a equação, a prova e o papel não se questionavam, não sentiam, não se angustiavam. Eu não iria perder meu tempo atendendo os desejos de objetos sem desejos. Tanto faz para eles e os professores, portanto não sou eu que vou ficar procurando o valor de X! Ele não é nada. Inexiste.
Então, parei. Percebi que as respostas não estavam ali. E o mais importante, eles faziam as perguntas erradas. A escola nos transformava em números e variantes, para suas equações de lucro isso já estava bom demais.
Meu número era 32 na chamada. 32! ... 32! ... 32! ... Trinta e dois faltou? Não, ele está ali. Tiago!, por que você não responde?! A Senhora não me chamou, eu sou Tiago, não sou um número. Se não responde é porque faltou. O que, professora? Você não está aqui! Bem, se você diz que eu não-estou aqui, amém... Tiago, para aonde você pensa que vai, não pediu licença?! Vou não-estar em ouro lugar, se você não sente a minha presença, não vai extranhar minha falta. Menino, o que você vai fazer? Vou resolver isso, cuidar da minha [in]existência.
A escola me fazia sentir o peso de não ser nada. De não influir na minha formação, de não escolher o que eu seria, ela queria que eu fosse qualquer-coisa, não-estar, um-número, repetidor-de-coisas, calculador-de-equações. Eu não queria isso, ser uma variável X.
Resolvi que não andaria feito um X pelas ruas, podendo ser ou ou João, ou Iracema, ou X ao quadrado, ou Y ou Z, quem sabe até o Tiago (para meus amigos). Para mim esse era o X da questão (com trocadilho, por favor!). E isso não ensinam na escola. Nem aprendem.
enviada por mim
20/09/2004 03:29
Textos ainda em construção... Outro dia vou colocar outros remendos e costurar os buracos.
Retalhos, mais uma viagem...
"Te perdôo
Quando anseio pelo instante de sair"
Chico Buarque
Fidelidade Gratuita
Já estou quase exagerando. Agora pensar nela é quase inevitável. E quase é uma palavra penetra e indesejável, na verdade, quase mentirosa.
Hoje, não sei porquê, fui fiel. Preferi a solidão, quieta e escondida no cinema escuro. Enquanto isso, sem me aperceber, passava uma fita vermelha pelas minhas memórias e com ela tecia a minha pequena e prematura paixão. Lembrei de uma madrugada estranha quando me alimentei de uma bala verde, cuspida e roubada. Roubada é exagero. Pelo menos, quase.
Entre a pele e a alma
Hoje quase chorei no cinema. É porque estou quase à flor da pele. E quase, você já sabe o que é, só uma intromissão falsa. Ainda não sei o nome do filme. Esqueci. Mas têm coisas de que não me esqueço, embora não me lembre agora (o que é muito diferente). Ela será assim, ficará na minha memória inalcançável. Vou lembrar dos beijos dela e de outras coisas que não posso mencionar, pois a classificação desse espaço é livre e ela, bem, nem tanto... Ela está guardada em mim entre a pele e a alma, com uma fita vermelha, a mesma fita do parágrafo acima. Sem exageros. Bem, quase sem.
In
Atenção: cuidado: texto com repetição de palavras, idéias e sons... Um texto diferente. Que foge do meu estilo, se é que isso é possível. Imito a Luciana. A minha amiga mais linda e sexy! Ah, brilhante também!
Tudo o que eu sei, ela me ensinou. Ontem! Mas sem exagero! JURO por tudo quanto é mais profano! Ensinou pelo menos tudo sobre o que é ser In. Parece pouco... Mas para mim já é um bom começo.
Depois ela me explica o resto, sobre como são as explosões de estrelas super-novas, como demonstrar emoções sem parecer fraco, como foi a criação da matéria, como falar de idéias sem me contradizer, como evitar um ataque do chupa-cabras e, o mais intrigante, como quetechupe, em português, pode ser tão sensual?!
Muitas coisas. Tudo, na verdade. Sem exagero.
Ser In é tudo. Foi o que ela disse, e eu acreditei. Mas, você me pergunta, afinal o que é ser In? Bem, para começar, se você não sabe, é porque está Out. E se você não sabe o que é Out, não precisa continuar a ler esse texto. É justamente o que alguém Out faria. Que não me leia, então. Odeio gente avoada. Onde estávamos?... Esqueci.
Ah, aprendi mais uma coisa. Isso é o que faz de mim um sabedor-de-tudo-e-mais-uma-coisa. Sou um ser paradoxal assim, e não sei deixar de ser, isso é uma coisa que ela ainda não me ensinou. Lembra do parágrafo acima? Então, continua aqui, no meio desse. E isso é ser In. Entender o que eu quase digo. Conversar sobre todas as coisas, inclusive as que não tem idéia, opinar e, na maior cara de pau-e-convicção, convencer pelo menos dez por cento dos bêbados no bar que você está certo.
A não ser que o bêbado seja você. Nesse caso você é super-In. E por favor, nesse caso, seja um bêbado filósofo ou engraçado, nunca ambos. Porque senão quem vai parar de ler isso aqui sou eu. Out!
Aconteceu. Aprendi mais uma-outra-coisa. Isso faz de mim um sabedor-de-tudo-... Você pode imaginar o resto, afinal de contas, você é In. Super-in. Aconteceu sobre uma pequena ponte, com pernas enlaçadas no corpo dela. Mas tinha mil empecilhos para não estar ali.
Estávamos encruzilhados e cruzados até a cintura (sei que o normal é começar de cima pra baixo, mas o inverso também é bom). Tínhamos um nó no ventre, um passado incômodo, um certo enjôo e sexo na cabeça (dela). Partidos em dois, entre o desejo e o estorvo.
Resolvemos então fazer uma fogueira e para queimar letra a letra, nosso incomodo pensamento. Foi quando veio uma idéia In. Enfim:
Não poderíamos ficar juntos: há mil empecilhos e estorvos. Até que disse, Você continua querendo mesmo com tantos motivos de revés? Sim, quero. Então é porque os mil motivos são quase bons o bastante. E um só desejo nos basta.
Pelo menos quando o desejo é exagerado...
Havia essa idéia In. E enfim pudemos enlaçar todo o corpo, com uma fita vermelha, aquela mesma, de novo. Cintura, seio, pescoço, fartos lábios e língua. Até os nossos felpudos cachos cachearam-se entre si. Foi quase assim, pelo menos é como me lembro e me arrepio.
Porque nunca houve um desejo sequer que não fosse exagerado.
enviada por mim
08/09/2004 03:22
Diferentes
Confiança
Ontem pensei nela. E gostei muito disso. Hoje tentei fazer o mesmo. Mas, por fim, me distraí. Amanhã vou tentar de novo. Só porque ela me dá vontade de dançar, com passos de reticências...
Primeira Vez
Hoje
Consegui! Pensei nela o tempo todo, até quase não resisti e liguei para sua casa. Chamou, chamou até ninguém atender. Quis ligar de novo. Mas controlei-me. No início é bom não exagerar. Ou melhor, faz bem exagerar aos pouquinhos...
Impasse final
Por fim, eu queria ir pelo asfalto quente, não sei porquê. E ele, é claro, quis ir pela grama verde. Eu já estava cansada e disposta a ceder, a essa altura da vida tanto faz ir pela grama, eu podia andar até sobre as águas... Quando, de repente, olhou no meus olhos e disse: "uma gentileza leva a outra". Andou comigo pelo caminho mais duro. E gentil.
Hoje só ando pela grama sozinha, macia e fria, ah que saudade dele.
Outro dia
No início do ano, tive medo da nova escola grande. Milhares de rostos anônimos, inclusive o meu. E chorei nos ombros dele, no colo seguro do meu namorado.
E disse o que estava havendo, O colégio é muito grande, não vou conseguir. Ele, como de costume, olhou nos meus olhos: Não importa se o colégio é grande, você é maior.
Cresci.
enviada por mim
26/08/2004 00:25
...
simples, lindo, engraçado, charmoso, irmão, líder, excêntrico, bom, tímido, sereno, brilhante, escritor, compreensivo, liberal, forte, mágico, essencial, único, libertador, companheiro, disposto, humilde, alegre, sonhador, gostoso, compositor, colega, sensível, esperto, cristão, consolador, generoso, carinhoso, gentil, cineasta, calmo, comedido, referência, independente, respeitoso, exemplo, símbolo, polido, sorridente, viajante, camarada, intelectual, justo, solidário, passivo, solícito, vivo, estudioso, culto, sábio, livre, competente, amigo, fiel, bondoso, sonho, sonhador, corajoso, homem, romântico, salvador, paz, despretensioso, parceiro, foda, maduro, decidido, perfeccionista, eterno, compulsivo, altruísta, másculo, fácil, acessível, atencioso, discreto, correto, agudo, audaz, misterioso, carismático, doce, clássico, recorrente, entendido, complexo, seu, inteiro, presente, seguro, lido, histórico, cheiroso, viril, prosador, saudável, educado, íntimo, paciente, rápido, são, alto, suave, diferente, virtuoso, atemporal, meticuloso, sério, sincero, honesto, amado, fã, colorido, criativo, concentrado, ouvinte, crédulo, participante, explosivo, sucedido, ordeiro, vencedor, inocente, bastante, exagerado, mais, surreal, desejado, vira-lata, alimento, alma, quente, diverso, cheio, mania, transbordar, maneiro, instrumento, ético, digno, firme, vitorioso, criador, memorável, festivo, transparente, paradisíaco, delicado, marcante, inesquecível, verdadeiro, certo, viciante, gozo, prolongado, compartilhador, surpreendente, pão, abusado, inventor, ilimitado, imperativo, nobre, suficiente, persistente, centrado, objetivo, sonhador, semeador, infalível, ciente, coerente, jovem, intenso, grandioso, escudeiro, querido, merecedor, divertido, sortudo, sexo, crescido, úmido, profundo, exuberante, enorme, incólume, irrestrito, sedutor, pacífico, público, inquebrantável, fascinante, apaixonado, enigmático, determinado, interessante, decisivo, dinâmico, moderno, pleno, prático, divino, espirituoso, realizador, expressivo, modelo, impressionante, aliado, prestigioso, honrado, familiar, excepcional, autêntico, acolhedor, tentador, namorado, inspirador, reflexivo, brasileiro, cidadão, petista, amante, útil, imaginativo, (in)satisfeito, monumental, consagrado, renovado, novo, principal, freqüente, claro, influente, cortês, agitador, lúcido, lírico, pretendente, trabalhador, primitivo, melhor, instrumento, arrumado, insaciável, cativante, safado, modesto, provocador, confiável, emotivo, in, maluco, beleza, insuportável, repetitivo, herege, esbanjador, militante, dilacerado, pulverizado, espalhado, dramático, insistente, carente, EXAGERADO e REVOLUCIONÁRIO.
enviada por mim
15/08/2004 15:56
Mesmo no Fim
Agora
vou esconder minha tristeza,
para não ser egoísta
e dar alegria, na mesa do bar,
p'ros meus amigos tristes...
Na rua tapo meus ouvidos com música,
só
para não escutar seus pensamentos,
mas em casa, não ligo a tv,
e deixo enfim me abater,
em silêncio e dor,
só para gostar de estar vivo
e amando eternamente,
mesmo no Fim.
Imagem Perdida
Como essas coisas que não valem nada
E parecem guardadas sem motivo
(Alguma folha seca... uma taça quebrada)
Eu só tenho um valor estimativo...
Nos olhos que me querem é que eu vivo
Esta existência efêmera e encantada...
Um dia hão de extinguir-se e, então, mais nada
Refletirá meu vulto vago e esquivo...
E cerraram-se os olhos das amadas,
O meu nome fugiu de seus lábios vermelhos,
Nunca mais, de um amigo, o caloroso abraço...
E, no entretanto, em meio desta longa viagem,
Muitas vezes parei... e, nos espelhos,
Procuro em vão, minha perdida imagem!
Mario Quintana
enviada por mim
05/08/2004 00:31
QUATRO Recortes
se Não disser eu te amo...
amor,
vírgula,
ponto e vírgula;
qualquer coisa:
reticências...
menos um ponto final
______________
Fiz amores,
pena. Não guardei
para mim nenhum deles:
Fui egoísta,
ao avesso!
______________
com amor,
Ainda ouço você sussurrar no meu ouvido uma música,
Abafando a multidão do anfiteatro - Uerj,
______________
A outra me deixava voar,
para aonde quer que fosse...
Ao pousar,
ela já estava lá!
Essa, diferente:
não me deixava partir,
Fim.
enviada por mim
26/06/2004 15:12
Meu candidato é poeta: Léo.
E o número dele é 13 13 0.
Leonardo Giordano Vereador.
Outra coisa
Ontem vi o Chico envelhecer. E fiquei triste.
Hoje Brizola morreu, não gostava dele.
Mas me acostumei a vê-lo vivo.
A Dercy Gonçalves, o Silvio Santos, o Papa, o Sr. Burns e o Pelé são do tipo de gente que não morre... Mas o Brizola e o Roberto Marinho estão aí - na verdade, estavam - para provar que estou errado. Tudo morre!
E eu, aqui, hoje, dou mais um passo, metafórico, e, dessa vez, consciente, de que, todo dia, quase morro, ou morro mais um pouquinho. Triste é morrer, assim, aos poucos, entre vírgulas.
enviada por mim
25/06/2004 12:32
enquanto seu texto não vem...
,
te amo!
ti.
enviada por mim
19/06/2004 05:53
Um texto que não se acaba.
A quem amar possa...
Dois olhares sobre Arraial
Abre os olhos, mas logo volta a fechá-los. Hoje o relógio não despertou, é gostoso acordar no silêncio. E esta manhã é mais calma e lenta. Abrem-se os olhos. E percebe que está nua. Com a mão sente as suas coxas, passa no púbis, no ventre, descansa nos seios e sobe pelo pescoço até a boca. Lembra-se do gozo que explodiu feito um sol dentro de si. E morde os lábios para não gemer de novo. Adormece.
A luz da manhã aquece a cama e dá o brilho vivo ao seu quarto. Ouve a respiração do [seu] homem, e chega mais perto para acertar sua respiração com a dele, como quem dá corda no relógio da vida. Observa cada fissura na pele, reconhece um a um os pelos da barba que a arranhou, e procura a sua pinta preferida na pele branca...
Mal pode acreditar que é ele deitado ali ao seu lado; mesmo depois de tanto tempo separados. Ele continua deitado em seu leito... Descansa os olhos desses pensamentos, e só percebe que adormeceu de novo quando vê que ele a está olhando. E sorri.
Tem um sorriso nos olhos, uma paz, sua respiração está sincronizada com a dela, um corpo que só respira. Ela nunca esteve tão linda quanto nessa manhã. A pele macia de suas coxas pousa entre as coxas dele.
Com as suas mãos ela o procura, sobe pelas coxas e já sente a manhã do seu corpo duro. Umedece... E puxa o seu corpo para sobre o corpo dela, e abre-se para que ele entre. E preencha o seu lugar, para que o seu dia nunca mais seja vazio.
enviada por mim
18/06/2004 06:59
Luciana, carta longa, sei que só você vai ler. Aliás, concluí o diálogo com a Camila, lá em baixo, e sei que só você vai ler também. Beijos, Ti. PS.: Ainda vou mudar coisas nesse texto, mas já está bom para ser publicado.
Sobre Deus
Niterói, 27 e 28 de outubro de 2003.
A revolução consiste em amar um homem que ainda não existe.
Albert Camus
Deus,
Hoje já me confessei com o Senhor, acho que fiz errado, me disseram que só podemos nos confessar com os padres, pois fizeram curso de ouvintes de pecados. O Senhor não fez o curso, eu sabia disso, creio que seja melhor assim, sem o curso o Senhor viu menos pecados que um padre bem treinado veria. Depois de me despedir da sua presença, lembrei-me de uma coisinha à toa que fiz, e fiquei com vergonha de voltar, esse entra e sai no céu deve ser ruim para sua privacidade, então resolvi escrever.
Leia quando o Senhor estiver sem pressa, se é que um dia o Senhor teve pressa de alguma coisa. Todos os deuses que conheci até agora fazem tudo rápido, de uma só vez. O Senhor não. Fez o Mundo em seis dias, a prazo, bem devagar, e depois ainda descansou. Eu, por outro lado, não consegui descansar, nem fiz o mundo. Meu pecado foi outro.
Essa madrugada eu roubei emprestado o carro do namorado da minha mãe. Estava aqui na garagem da minha casa há dois dias, sem uso, e me incomodava. Estava enfadado quando saí do cinema, fui a Galeria do Poste, voltei para casa, depois li um livro, mas me entediei de novo, folheteei minhas músicas, liguei o ICQ que não me animou, então resolvi sair de casa. Estava sem dinheiro e chovia muito, ou roubava o carro, ou me atirava pela janela. Uma das duas!
Tranquei meu quarto por dentro, despedi-me da sensatez dos meus livros, e pulei a janela! Não morri, mera simbologia para enterrar o medo... Para não fazer barulho empurrei o carro até a rua. O Senhor deveria ter visto, foi muito emocionante! Dizem que Deus é o tipo de gente que tudo vê, como se o céu fosse a sua casa, e os seus olhos seriam uma grande janela da Fifi, a fofoqueira. Mas não poderia ter certeza de uma coisa dessas, não consigo acreditar em tudo que me falam sobre o Senhor, por isso resolvi Lhe contar.
Como o Senhor sabe, ou deveria saber, não sei dirigir. Mas foi fácil descobrir o que era o freio e o outro pedal que serve para passar a marcha. Dirigir não é difícil, o Senhor deveria tentar um dia, já que quando esteve aqui na Terra os carros ainda não existiam. Irá gostar. Tinha que aumentar a marcha conforme o carro andava, isso me ensinaram, só não sabia que tinha que descer conforme a velocidade diminuía, por isso o carro morreu algumas vezes, fica a dica para o Senhor. Aprendi.
Era engraçado andar por Niterói, nunca tinha visto a cidade pelos olhos de um motorista. Os carros passavam por mim, me saudavam e piscavam o farol, que mania repetitiva. Estava escrito Nunca Dirigi, como se fosse um fenômeno sobrenatural, que transformou meu tédio em misticismo. Mas a repetição colocou toda a mágica a perder, os faróis que piscavam tiravam o sossego do anonimato.
Queria ficar quieto com meus pensamentos. Foi assim até que na Estrada Fróes, que liga Icaraí a São Francisco pela orla, houve o inesperado, apercebi que o meu farol estava apagado, pois aquela estrada é mais escura do que as ruas de Icaraí. Quando liguei, pararam com essa mania. Percebi então que a mania era minha. E o misticismo é o tédio esclarecido.
Sempre ligue os faróis à noite, outra dica para o Senhor em troca do que fez por mim, se é que fez alguma coisa naquela chuva toda. Parece que o Senhor ficou quietinho em casa de janelas fechadas. Obrigado, se o Senhor fez alguma coisa que impediu a minha morte, ou a de algum inocente, ou a minha prisão, e claro por ninguém na minha casa ter apercebido a falta do carro. Realmente precisei sair de casa daquele jeito. Tinha muitas coisas a pensar, e só um espírito livre pode descobrir a cura contra sua inquietude. Ou talvez um louco qualquer. Dirigi pela orla livremente.
Adorei a orla chuvosa de Niterói, ela tinha algo de eterno. Era interessante ver as mais antigas obras plásticas paisagísticas, as de Niterói ainda podem ser facilmente identificadas, já as do Rio não. Andei pela orla de Niterói, isso era redesenhar as primeiras obras plásticas brasileiras, e gostei da orla simplesmente por ser linda. Fiquei de carro para lá e para cá. Meus pensamentos iam e voltavam entre uma digressão e outra, e faziam considerações leigas sobre a mecânica dos carros. Sem conclusão alguma.
Foi impossível concluir um pensamento qualquer. Chegar ao fim de um texto era fácil, acabava o papel, a tinta ou a paciência, mas quem escreve não se acaba, continua a pensar e a viver. Por isso o abismo final de tudo quanto pensamos é o inesperado, abre-se noutra imensidão desconhecida. Essa inconclusão é a Condição Humana, suponho que o Senhor saiba disso, estamos sempre por-fazer.
E morreremos sem um ato final, sem a grande cena, sem mesmo sabermos e sem aplausos. A vida é sempre perder o início do filme e dormir antes do fim. Justamente quando começarmos um novo pensamento, sem concluirmos um pensamento qualquer seremos finados, e enterrados logo após. Por enquanto nossos ensaios, tratados, provérbios e poesias passeiam livres entre a orla e a vida, sem a obrigação de chegar a algum lugar.
Perdi a noção de tempo. Rodei muitos quilômetros, de acordo com o painel do carro, mas não cheguei a lugar nenhum. Hodómetros nada sabem. E o Senhor também não, pelo que me disseram para Você (posso chamá-lo de Você?) um minuto é mil anos e mil anos são um segundo, isso é estranho. Como alguém pode se confundir com aquilo que criou? Depois ainda quer que entendamos que existe tempo para tudo, está na Bíblia. Para tudo se acabar e nada se explicar, só se for. Melhor, ou o Senhor nada sabe, ou quem fala em Seu nome não sabe nada. De qualquer forma, a minha noção de tempo foi igual a sua.
Hodômetro é uma palavrinha feia, não sabia que ela existia, não fui eu quem inventou essa palavra por isso fico automaticamente perdoado ao usá-la. Existem palavrões e palavrinhas, ambos feios, mas a mediocridade e a moralidade só condenam os palavrões, isso é injusto. O que torna a vida menos bela são as palavrinhas. Há coisas que todos sabem, menos eu, ou Você. Isso é surpreendente. Minha amiga disse que essa palavrinha é muito difundida, todos os adultos a conhecem. É tão famosa quando termômetro. É por essas e outras sempre reconheço que tenho muito a aprender sobre o oculto e as coisas já reveladas. A orla serviu para pensar nessas coisas. Isso é, pensar em quase nada.
Antes de ir ao cinema da UFF, que fica na orla, tive uma conversa sobre Você. Apesar de ser um materialista histórico-dialético, creio plenamente na sua existência. Apesar de ser beato, crente bitolado, creio sem restrições na autonomia da carne. Isso é creio que Você onde quer que esteja não está cuidando dos assuntos terrenos, que Você que criou a vida também criou a morte, tal como agora estou vivo, um dia morrerei e virarei pó. Creio que Jesus e Você são a mesma pessoa, que nem mesmo Freud explica. Para Você que não entende sequer sobre o tempo, deve ser difícil entender isso. Ou melhor: é impossível para quem fala-em-seu-nome essas fofocas sobre Você. Sei que Você foi quem criou a carne e o sexo, e é espírito, logo entende de tudo.
Não acho contraditório, creio que há dois mundos separados. Um mundo imaterial, onde Você está, e um mundo material, onde estou, ligados apenas por Cristo vivo e material. Tudo que não o for Ele, não é Deus. Tudo quanto acontece na Terra explica-se pelas coisas materiais. Só isso. Cada um na sua, mas com alguma coisa em comum: Jesus. É fácil pensar assim, que Você não [quer] está[r] aqui... Eu também não.
Nasci e fui criado nessa Terra, adoro esse lugar, sou feliz, apaixonado pela Natália, amo meus amigos e amigas, minha família é uma coisa de outro mundo, no bom sentido. Amo muito meu pai, foi ele quem me fascinou pela sabedoria e por Você, e minha mãe é um exemplo de altruísmo. Mesmo assim não agüento mais, quero ir embora, e só tenho 24 anos. Imagino Você que não é daqui e já conhece esse mundo há milhões de anos
Viu de tudo pai matar filho, mãe trepar com o melhor amigo do marido, assassino de milhões ser adorado incondicionalmente por gente que desprezava o Seu amor. Esse mundo é uma sacanagem só! Às vezes, da boa, aquela sacanagem que você inventou é do bem. Por isso entendo muito bem que Você esteja no bem-bom, e quem quiser que creia em Cristo, pronto: estará com o Senhor! Você merece descansar, fez sua parte, por isso lhe amo tanto. Se quisermos - os humanos - um mundo melhor, temos que fazer com nossas próprias mãos. Mas quanta sacanagem rola nesse mundo. Não é fácil, Você já tentou, sabe que não é fácil. Então, gostaria que o Senhor me ajudasse.
Pelo menos uma coisa me conforta, o mundo não será perfeitamente da forma como eu quero. As coisas não andam tão bem quanto gostaria. Na verdade, as coisas não vão nem como Você gostaria. Então, Lhe pedir que tudo seja perfeito em nossas vidas, é pedir para que tenhamos mais regalias que Você mesmo não tem. Isso não é possível. E se o Senhor está bem, sem traumas, com um mudo que não é como você idealizava, eu também vou (sobre)viver bem.
Pode parecer pretensão da minha parte me comparar ao Senhor. Quero me explicar nesse ponto com dois enxertos. Foi Você quem começou com essa história. Primeiro fez o ser humano a Sua imagem e SEMELHANÇA e segundo Jesus (outro nome para Você) disse para sermos IGUAIS a Ele, Jesus é o Seu lado mais exagerado. Ele pode. Você também. E eu preciso me inspirar em alguém.
Sei que Você pensa muito nas pessoas que ama e quando esteve por aqui na Terra andava pela orla, essa madrugada fiz essas duas coisas. Pensei muito em três pessoas na Luciana, no Renato e no Leonardo. São as melhores pessoas que conheço. E na Natália, dela sei muito pouco ainda. E na Tati, muito distante, Presidente Prudente, que não tem sequer orla. No Guilherme, Você deve conhecê-lo como Panda. Elker, Victor, Daniele, Anne, Luiz Renato, Ana Paula, Luiz Cláudio, Cândida, Rafael, Viviane, Coroa (meu pai), Camila, Maisa, Aline, Darc, Rafael, Rachel Maria, Viviane, Clarice enfim... São algumas pessoas maravilhosas que conheço. Pecadores sim, mas pecadores-gente-boa. E como é bom pecar (se não fosse, não haveria tanta polêmica).
Mas apesar de ser pecador, meus pensamentos eram, como a Camila diria, puros como um feto. Flutuavam pela orla de Niterói, sem acidentes, apesar de trocar os pedais às vezes, e furar os sinais sempre na praia de Icaraí. Pensei mais sobre a Luciana. E na carta que ela me escreveu no meu aniversário. Muito linda. Ela falou de Você, Lhe agradece por tudo. E por outro lado só quero Lhe agradecer por duas coisas, ter criado todas as coisas, que não conheço, e por conhecer as melhores.
A Luciana regozijava-se na carta pela nossa amizade, que é bela. Instantânea, singular e silenciosa... Achamos-nos entre bilhões de seres que rodam nosso mundo, entre os milhões de acidentes reconhecemos em nós a compreensão, a tranqüilidade para continuarmos a caminhar estranhamente juntos pela orla da Terra. A quem devemos agradecer... Aos nossos pais, Que brega, ela disse. Ao Deus, por tudo. Mas ela simplesmente disse apenas escrevo a você a quem, aliás, devem-se muitos dos méritos por ser como é. Bonito isso.
Mas não é verdade. Claro que não sou responsável por ser quem sou. Sempre tive muita gente ao meu lado, muita ajuda, muitas vozes diferentes me formaram, minha vida é esse cântico. Tive em quem me inspirar. E sorte na vida, igual a todos os outros seres humanos, sou uma estranha combinação dos mesmos materiais que compõe todo ser humano. O que faz de mim diferente é tudo aquilo que faz de nós iguais: uma essência e meus acidentes.
Meus amigos têm algo em comum, e não sabem. Sempre encontro, descubro, crio, ou revelam-se, pessoas que querem de uma forma ou de outra melhorar. Talvez isso seja próprio do ser humano, ou seria sorte minha?, pode ser que simplesmente não seja assim. Todos esses meus amigos me ensinam a melhorar de uma forma especial, e sempre empresto a isso uma dimensão universal. Por isso acredito que o Senhor me considera um bom ser humano. Não posso lhe enganar, tenho defeitos (embora sejam mais claros para o Senhor do que são para mim, e são mais numerosos ainda para os padres, esses sim entendem sobre pecado), e ainda assim creio que serei salvo da morte. Mas se por acaso o existir outro céu, além desse que estamos, gostaria de poder levar todos meus amigos. É difícil imaginar um paraíso sem eles, minha família e minha amada, a Natália que fique claro.
Gostaria de Lhe contar sobre cada um dos meus amigos, sobre o Renato em especial. Assim como o Senhor, ele sempre esteve presente mesmo quando escolheu ficar distante. Ele me ensinou sobre a bondade. Pensei essas coisas dentro do carro e voltei para casa. Estacionar é muito mais difícil do que tirar o carro, digo: empurrar o carro para estacionar numa subida é duro. Os carros deveriam ser mais leves, ou as pessoas não deveriam ser tão possessivas, ou ainda eu deveria ter meu próprio carro. Está nos dez mandamentos: não roubarás. O Senhor não me pergunte o que meus pensamentos tinham de tão angustiantes a ponto de roubar um carro: eu não posso saber, se o Senhor próprio não sabe.
E não foi exatamente um roubo, porém sair com carro de outro sem avisar, sem saber dirigir, na chuva, deve ser pecado (mesmo se não estiver nos dez mandamentos). Praguejar a patrulha da PM também deve ter algum agravante. Mas fiz tudo com coração limpo. Têm coisas que revoltam, não dá para ficar calado. Deveria ficar, não consegui, era injusto demais os que os policiais estavam fazendo. Você sabe, ou deveria, e faria o mesmo. Pena que Você resolveu não se meter mais nas cosias terrenas, por isso não entrarei em detalhes.
Você deve ter acordado um dia e dito: eu também tenho o direito ao FODA-SE, modo de dizer claro, espero que tenha lido o texto do Millor sobre palavrões. Ele disse que o nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de "foda-se!" que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda-se!"? O "foda-se!" aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta. "Não quer sair comigo? Então foda-se!". "Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!". O direito ao "Foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição Federal. Liberdade, Igualdade, Fraternidade e Foda-se. Você deve ter mais modos do que eu, e deve ter usado outros termos. Mas resumindo é isso aí! Não significa que Você não se importe, é que o Senhor já fez sua parte, agora é conosco. Amém. Espero que Você não seja moralista como me falaram. Senão estou fu#$%&*dido, e mal pago.
A quantidade de besteira que já Lhe falei, considerando-O um amigo, não está no gibi. Você entende gíria, não é? É que se o Senhor for moralista como afirmam e já mataram mulheres bruxas por causa disso, eu não vou ter tempo de vida o suficiente para me redimir. E se o Senhor não entende gírias como espalham por aí, quem então ouviu minhas orações? E as respondeu corretamente? Não foi Você?! Acho que andaram mentindo para mim, e foi sobre o Senhor.
Até que Você assim de pertinho parece mais gente boa do que dizem aqui na Terra. Esquisitão, mas gente boa. Afinal de contas de perto ninguém é normal, foi Caetano quem disse essa frase, Você sabe. Dizem que as pessoas não são normais de perto, pois se acham o centro de todas as coisas, e criam um mundinho para si. Ora, Você realmente é o centro de todas as coisas e criou um universo para Si. Isso prova que você não bate bem, o que é bom. Tem de ser o mais excêntrico de nós.
E como temos que seguir o Seu exemplo, sejamos esquisitões! E nada é mais esquisito que o meu grupo de amigos. Logo, todos iremos para o paraíso! Agora me dei conta de uma coisa: o paraíso é um grande manicômio, os normais ficam presos na ala dos infernos, pelo menos até que enlouqueçam. Ainda bem que eu não sou o chefe da Igreja. Primeiro pelo celibato, e também porque eu posso falar essas heresias e ninguém seguir. Amém, de novo. Já ele fala heresias e as pessoas o seguem. Uma pena, para Igreja um ato de amor é pecado. Para o Senhor eu sei que não, graças a Deus! Com falso trocadilho, por favor.
Poderia escrever horas sobre várias coisas que falam sobre o Senhor aqui na Terra, não farei isso. Agora já sei que quase tudo é inventado para manter o poder dos homens e não Lhe render honra e glória. Usam o Seu nome para engrandecer outros nomes sobre todos os seus amados, para oprimirem... O Senhor não se entristeça vou tentar mudar isso, com meus amigos e companheiros. A nossa revolta é pura, o grito da revolução é como choro o feto, que acaba de sentir o pesado ar do mundo. A poesia é pobre, mas a idéia é boa.
Sei que maior parte de seus fiéis é sincera, aprende errado, não é culpa dela. E as igrejas transformam os crentes em mendigos celestiais, romarias eternas de pedintes querem carros, casas, dinheiros caídos do céu. Mas Casa da Moeda não fica na Casa do Pai. Existe um senso-comum sobre Deus que foi impingido por instituições que mantém um estado geral de apatia e permite o mal correr solto, e deturpa por isso a fé em Cristo. Tenho certeza: revolucionar é necessário para salvar a carne e o espírito, e sua igreja (qual seja ela, e como for).
As igrejas querem que oprimidos amem seus opressores. Pedem para que vítimas de violência amem seus estupradores, isso nunca vai acontecer, e não se chama perdão: é injustiça. Creio que num mundo sem explorados e dominantes o amor terá um terreno mais fértil, como na parábola do semeador, a semente tem que cair em bom solo para dar frutos. Não sou um semeador, pois trabalho para preparar o solo e regar. Que meus amados semeiem. Que Você dê o crescimento.
Por agora é só, despeço-me, já com saudades de falar mais com o Senhor. Embora eu tenha falado mais do que Você, que indiscrição a minha... Mas Você me responde nas reticências, no silêncio. Meu poeta preferido diz uma coisa muito legal: As reticências são os três primeiros passos do pensamento que continua por conta própria o seu caminho. Ele é lindo, o Mário Quintana. Tem gente que usa reticências como que usa orégano numa pizza. Mas elas foram feitas para libertar, o ponto sim limita. E ponto. Fim. Prisão. Sem saída. Agora, pense bem... Reticências... Lindas... Livres... Leves... Tal como a vida... O Senhor participa com muitas reticências. Não sabia que um silêncio vale mais que mil palavras... É, digo a ela que a troca de silêncios era o único diálogo verdadeiro, o resto são monólogos intercalados...
Mas seu silêncio incomoda a muita gente, e por isso as igrejas renovam a fé nos rituais. Assim crêem mais na instituição, padre, pastor, líder supremo, ou coisa parecida do que em Você. O paradoxo é esse, crêem no padre por esse falar em seu nome, mas não lhe escutam diretamente. É paradoxal, para os fiéis Você se manifesta apenas nos rituais. Afastei-me das suas igrejas, e prefiro cometer meus erros próprios nessa carta a seguir os passos errados dos outros.
Com amor e fé
em Cristo,
Tiago de Paula.
enviada por mim
05/06/2004 12:06
uma cartinha de amor.
Tostines na ética e na moral
Natália,
Minha linda,
Só você pode me ajudar. Quero saber a diferença entre ética e moral, só para por pingos nos is em nossas conversas. Esse texto é um primeiro ensaio, o segundo fica por sua conta. O terceiro por nossa, amém.
A falta uma distinção clara desfaz o sentido que uma e outra poderiam ter. Por isso sempre usamos essas palavras casadas, tal qual a Rafa e a Bárbara que até hoje não sabemos quem é quem, só sabemos quem são, no plural. Para nós elas perderam a individualidade.
Quando se trata de casais homem-mulher, a desinvidualização não fica tão latente. Mas basta você chegar sozinho numa festa que as perguntas começam, onde está sua namorada?... É aqui, minha linda, que ficamos tal qual a moral e a ética, sem distinção. Voltemos à ética, ou a moral, que seja.
Moral, para dizer algo óbvio, não é uma questão ética. Assim como a Bárbara não é a Rafa, têm significados próprios, e independem uma da outra. Ela é uma norma a ser seguida. Um exemplo: não posso ter uma mulher e transar com a outra, devo ser fiel. Se acontecer de transar com a outra: firo a moral. E principalmente a você.
Ética, por sua vez, não é a Bárbara (embora a Bárbara seja ética, claro). Uma questão é: Se eu transar com a outra salvo a vida da minha mulher, a quem devo fidelidade, e ela prefere morrer a saber de mim com a outra: deveria ou não transar?
Uma informação importantíssima é saber se a outra é gostosa. Pelo menos para metade dos homens... Mais da metade. Quase totalidade. Enfim, o exemplo é ruim. Esqueça-o.
Para a moral, consideramos a norma. Para a ética, devemos considerar três valores, talvez mais, no momento só consigo pensar em três: a verdade, o compromisso e (...) outra coisa que esqueci. Remete ao sentimento de humanidade, deve haver uma boa palavra para o terceiro valor.
O fato é que às vezes entramos em conflito, e apenas a aplicação incondicional e simultânea de todos os três valores pode resultar em uma conduta ética, mesmo com eventuais prejuízos. Se fosse diferente, seria muito fácil. Ser ético é estar entre cruz e a espada, e sempre tomar a decisão mais difícil. Pelo menos, por enquanto.
Não concordo com algumas normas morais, acho que devemos mudá-las, por exemplo, em relação a sexualidade feminina, principalmente. A ética, por sua vez, deve ser universal resistente ao tempo e às sociedades (que nenhum historiador me leia hoje).
Lindinha, estou com saudade de você!
Eu lhe amo!
Beijos,
Ti.

enviada por mim
17/05/2004 06:50
Para Camila
As melhores frases de uma solteira
Um homem sempre quer lhe comer.
Veja pelo lado positivo... Pior seria se ele não quisesse.
Depois: nunca espere algo de um homem...
Muito menos um telefonema.
E não há verdade mais absoluta que esta:
muito embora sexo sem amor não seja tão bom, amor sem sexo é pior ainda.
enviada por mim
08/05/2004 04:55
Mania de falar de dois assuntos ao mesmo tempo.
(ou de nenhum)
Porque escrever uma dedicatória
em Calabar, o elogio da traição de Chico Buarque e Rui Guerra
Ganhei um livro,
a primeira peça de teatro que li,
da mulher que me ensinou quase tudo
que ela sabia.
E continua a ensinar.
Ela escreveu a melhor dedicatória,
e aprendi mais uma coisa:
não é a nossa história que nunca termina,
é que na verdade ela sempre começa.
Nessa semana nós revisamos juntos um roteiro de cinema
(ficou perfeito, ela é minha cineasta preferida,
e, com certeza, será a preferida de todos em breve).
E isso me deu saudade do tempo em que fazíamos tudo juntos,
e deu saudade nela também.
O que isso significa ainda não sei, vamos pensar juntos.
Nós andamos juntos, criamos juntos, bebemos juntos, escrevemos juntos, comemos juntos, brigamos juntos, nadamos juntos, dormimos juntos, voamos juntos, trabalhamos juntos, choramos juntos, cantamos juntos, sorrimos juntos, descobrimos juntos, mudamos juntos, enfim gozamos juntos...
quem ama quer ficar junto
A dedicatória:
Tiago,
Por que escrever uma dedicatória?
Ela seria apenas uma pequena parte do que se poderia dizer,
para você,
de você,
de nós...
Enfim, de tudo que sempre foi e será nossas vidas,
a nossa história.
História essa que termina no meio,
começa no fim,
e se inicia..., bem:
sempre!
Daquela que foi sua mulher, sua amante e que agora será para sempre sua amiga
(mesmo que essa ordem nunca seja respeitada).
Beijos flamejantes,
abraços prolongados
e carícias ternas.
Xxxxxxx.
enviada por mim
02/05/2004 23:32
Um Diálogo
Dois ou Três ou Quatro Passos
Camila
Diálogo, passo I
__ Já vou.
__ Entra.
__ Estou indo, calma.
__ Vem logo.
__ Cheguei, chata!
__ (ri) Demorou, por que?
__ Para lhe irritar.
__ Não conseguiu.
__ É porque você me ama muito.
__ Vai sonhando.
__ Vou. Sempre voo que sonhado.
__ Que foi?
__ Que foi, o quê?
__ Como assim, por que você perguntou isso?
__ Quando você disse vôo sonhando, seu pequeno poema do nada, vi que no seu olhar havia algo triste.
__ (Sorri sem graça) Você está certa, errado foi ela partir.
__ O quê, ela quem?
__ Ela me deixou, ela!, a única que não poderia me deixar.
__ Sério? Você está brincando.
__ É verdade! Não acredite. Eu mesmo ainda não acredito.
__ Mas que pena, para ela!, você mudou e melhorou tanto com ela.
__ Mudei sem ter mudado nada.
__ Como assim? Você sacaneava ou destratava ela? Eu não sabia.
__ Nada disso. Encontrei uma mulher que merece o melhor que há em mim isso parece cafona, mas é a verdade , e com um pouco mais de tempo e de paciência. Eu poderia ter mudado, com prazer, o que precisasse para ser mais feliz.
__ É inacreditável, o pior é que você realmente teria resolvido seja lá o que for. Nunca vi um homem tão apaixonado, quase dá inveja dela... No bom sentido.
__ Verdade, nunca amei desse jeito.
__ Mas você já sabia que seria complicado.
__ Sabia que tinha tudo para dar errado, e deu certo. Mas depois passamos a ter tudo para dar certo, e deu errado. Ela só errou ao terminar.
__ Ela lhe ama, está na cara, vocês vão voltar. Nessa idade tudo é muito intenso para ela, para o bem e para o mal. O problema de vocês tinha a melhor solução, ela escolheu a pior. Vai se arrepender amargamente.
__ Não quero isso para ela. Independentemente da idade, sei disso: eu posso resolver o problema (ou poderia). Mas não vamos voltar, ela não quer, me ama, claro, e acha que vai deixar de me amar.
__ Ela nunca vai conseguir lhe esquecer, o que vocês têm é divino, sei que você não acredita em destino, se acreditasse eu lhe diria que Deus se alegra do amor de vocês. E se eu fosse exagerada como você, diria que Ele está escrevendo o último romance da Terra.
__ (Sorri) Diz isso para ela, adorei.
__ Diz você a ela, isso é a sua cara. Sempre soube que esse relacionamento era complicado, muito novinha, não agüentou um problema sequer.
__ Não diga isso.
__ Mas é a verdade.
__ Não é verdade, realmente havia um problema. Por outro lado você tem muita razão. Sei que é um erro terminar, sei que sequer vivemos as melhores coisas, sei que era arriscado. Essa fase da vida é fogo. E ela é a mulher que amo, não importa a idade, além do mais todos erram. E Arriscar é Preciso.
__ Sem arriscar nunca seremos plenamente felizes, mas arriscar e desistir logo é a pior coisa. Todos erram, isso é verdade, e o erro dela (ter terminado), poxa, é por causa dessa droga de intensidade. Vê um problema como um monstro sem solução, maior que tudo, inclusive que o amor, daqui um tempo, passa o problema e fica o que vocês sentem. Aí, meu Deus, vai enxergar: um grande erro. E pode ser tarde demais.
__ Não vou esperar isso, esperaria qualquer coisa ao lado dela, mas não espero nada sem ela. Vou deixá-la também... Daqui um tanto (porque agora não consigo).
__ (Sorri) Esse é o problema de vocês homens.
__ Deixe-me dizer uma coisa antes você começar a me criticar?
__ Claro, pode falar, mas isso não vai livrá-lo da crítica.
__ (Risos) Vou tentar livrar-me disso. Só quero dizer uma última coisa antes: Ela não estava feliz, por isso terminou. Muita discussão.
__ Foram duas frases e dois erros. Primeiro, ainda não terminou. Sabe o por quê? É impossível acabar com o amor de vocês. Segundo, ela vê a conseqüência separada da causa, felicidade ela não tem agora sem você. Nunca vai ser feliz plenamente sem seu amor. Não estava feliz por causa das causas de desagradáveis discussões, por isso deveria atacar as causas das discussões, e só.
__ Só; diz isso para ela.
Diálogo, passo II
__ Diz você.
__ Mas ela não vai me ouvir.
__ Pelo menos terá feito a sua parte.
__ Isso não me consola.
__ É engraçado ver o melhor canalha que conheço assim; nunca pensei que lhe veria desse jeito, mas confesso uma coisa: torcia um pouco para ver você amando-apaixonado por alguém.
__ (Risos) Conseguiu, e é ruim.
__ O problema de vocês homens, principalmente de um canalha como você, é que daqui a uma semana vai ter ficado com meia dúzia, distribuído mil promessas, e quando ela quiser voltar, você vai vacilar e fazer sofrer as meninas que nada tinham a ver com a história.
__ Não sou um canalha, e se fosse não seria desse tipo.
__ Não me leve a mal, você não foi um canalha com ela. Mas é um bom canalha.
__ Mas eu não sou mesmo. É que as pessoas são interessantes, lindas, inteligentes, divertidas, o que posso fazer? Sou solteiro. E as mulheres de hoje em dia não querem nada sério, só me usam para satisfazer seus pensamentos libidinosos mais sujos. Depois não me pedem em casamento, e eu sofro com isso.
__ (Risos) Coitadinho, são umas canalhas! Existem muitos tipo de canalha, o canalha-amador, o meio-canalha, o canalha-canastrão, o mal-canalha, o canalha-mau, o canalha-atrapalhado, o canalha-babão, e tantos outros. Canalha é minha especialidade. Não consigo gostar de homem bonzinho, e me assusta alguém que se apaixona muito rápido por mim.
__ (Sorri) Por isso nunca vamos ficar juntos, você e eu. Primeiro, é que, de fato, apesar da fama, não sou um canalha. Segundo, você é realmente apaixonante, e se ficássemos juntos logo no fim do primeiro beijo já diria eu lhe amo, vem cá minha nêga.
__ (Risos) Pelo menos você é um canalha que vale a pena.
__ É o eu te amo mais rápido do sudOeste.
__ Esse é o problema você diz eu te amo rápido de mais.
__ Isso não é um problema. O problema é que as pessoas acreditam.
__ (Risos) Você não deveria dizer isso, um canalha nunca deve dizer que é um canalha. Isso é um erro.
__ Perdão. Deixe-me dizer uma coisa para consertar. As pessoas acreditam por um só motivo.
__ (Sorri) Qual?
__ Porque é simplesmente a verdade.
__ (Risos) Eu não duvido que você goste dessas mulheres que você fica. É justamente esse o problema, você ama a todas. Não pode!
__ Não poderia, mas acontece. Todas têm algo diferente que ninguém tem. Mulher é ser adorável, adoro a voz, os seios, a mão, o jeito, as pernas, o ventre, a forma de pensar, a vulva, as costas, a boca, suas manias, tudo amo muito. Toda mulher tem algo que eu amo diferente de todas as outras. E eu passaria o resto da vida com só uma delas.
__ O problema é que você não sabe qual quer, ou quer todas.
__ Eu sei o que eu quero, não estou indeciso, nunca fui. Não quero nenhuma dessas. Quero a minha mulher, que não me quer mais.
__ Enquanto isso você vai enganando as pobre-coitadas.
__ Nada disso, elas é que não querem nada sério. As mulheres de hoje em dia são assim: sequer ligam no dia seguinte. Dizem que amam, depois acham que não amam mais, e largam-me.
Diálogo, passo III
__ Se eu não lhe conhecesse, quase acreditaria.
__ Na verdade, quase me conhece. Eu não sei porque fica me dizendo isso, que sou canalha. Você é psicóloga, então me esclareça uma coisa; está querendo me convencer que sou canalha por quê? Ou só está tentando se convencer?
__ (Sorri) É que mudei muito em relação a essa coisa de fidelidade. Agora cansei de pensar nisso, só não quero saber se me trair.
__ A política de não saber é correta, mas você não me respondeu.
__ Sei lá, acho que é porque eu estava conversando com minhas amigas sobre você sua ex é novinha demais para saber, mas você faz o tipo homem-ideal com uma pitada de canalhice. Toda mulher gostaria de ter. É o canalha que vale a pena, você diz coisas que a mulher quer ouvir. Tipo o filme Do Que As Mulheres Gostam. Gosto disso em você.
__ (Sorri) Como é bom ser aceito com meus defeitos. No meio do ano passado eu havia terminado um namoro e você estava terminando o seu namoro com o aprendiz de canalha, na época o meu amigo me disse que você seria a mulher ideal para mim.
__ Sério? Por que ele disse isso?
__ Eu também nunca havia entendido o porquê, até agora.
__ Engraçado, nunca soube que ele acha isso, me explica. Porque até agora.
__ Lindinha, sei de uma única coisa nessa vida: eu vou me apaixonar indelevelmente por uma única mulher que me fará desdenhar dos meus sentimentos infantis por outras minhas meninas (do passado). Sei que mulher é essa, e que nunca a encontrei.
__ O que isso tem a ver, me deixou mais confusa.
__ (Sorri) Essa única mulher tem um dom que só ela terá. Geralmente me apaixono por alguma qualidade, amo cada perfeição da mulher que estou, mas essa seria diferente... E quase vejo isso em você.
__ (Sorri) Cuidado...
__ Às vezes é necessário ser sem cuidado. Se você não quiser, não digo mais nada, sinto muito.
__ Agora fiquei curiosa, mas não é por curiosidade, realmente quero lhe ouvir. Gosto de conversar com você.
__ Adoro conversar com você, mas tenho que ir embora agora.
__ Já!? Não vá.
__ Vem comigo.
__ Não posso. Antes de ir me diz o que você quase vê em mim.
__ Não posso agora. Mais um pouco espera e será o tempo de dizer.
__ Pelo menos fique um pouco mais.
__ Fico sim.
__ Gosto da sua mão.
__ Amo seu colo. Adoro o seu carinho. Mudemos de assunto...
__ (Sorri) Mas me diz uma coisa, fora esse seu problema com sua ex novinha, está tudo bem? Você está bem?
__ Eu não sei. Não tenho pensado nas outras coisas. Se estiver tudo mal, eu não sei. Agora, na verdade, penso em você. O que você deseja?
__ (Sorri) Um beijo.
__ Beijo... O nosso primeiro beijo.
__ (Pausa) Hum... Você tem um gosto bom.
__ Minha linda, eu lhe amo, vem cá...
(Em breve, a quarta parte)
enviada por mim
29/04/2004 14:59
diálogos entre textos
Breve
__ Eu tenho um problema: as pessoas acham que eu digo "eu te amo" rápido demais...
__ Na verdade, o problema é que as pessoas acreditam!
Leonardo disse:
Breve comentário cínico
Nenhum "para sempre" dura muito mais que dois meses...
Mas isso é humano.
E como bom humanista não posso ter raiva disso, posso?
Funny thing.
enviada por mim
26/04/2004 13:00
Um texto que tem muito a amadurecer...
Terça-feira, 13
__ Por enquanto, eu estava errado. Essa frase é esquisita, pois reflete fielmente os tempos estranhos vividos ontem; a segunda-feira me lembra em tudo Porto Alegre ao avesso.
Ao avesso pois inverteram-se os papéis; não é o fim, nem mesmo um novo começo, apenas continua: tal qual era antes. __ Mas então, me pergunto, por que continua?
Porto Alegre fez uma revolução na minha maneira de ter convicções na vida. E já faz mais de um ano, e de lá para cá uns nove relacionamentos, além dos poucos casos e muitos flertes. Mas o que houve em Porto Alegre é insuperável, insuportável e indelével:
E não evitou que eu estava errado (tempos estranhos, de novo): Agir da melhor maneira não é uma receita infalível contra a babaquice alheia; nem a chave para felicidade ou do romantismo ou doutras pieguices almejáveis. É óbvio, minha amante precisaria estar imbuída do mesmo espírito; mas temos prioridades diferentes decretara.
Em Porto Alegre tive os dias mais felizes da minha vida; e, por enquanto, na verdade, surreais. O que aconteceu é inefável. Narrar esse sonho é impossível; só David Lynch conseguiria, eu não. Só ele poderia fazer um filme como Cidade dos Sonhos a minha Porto Alegre. E somente Porto Alegre me deixa com a sensação de ao acordar de um sonho bom.
Todos já sentiram-se assim, ou no meio da madrugada, ou logo pela manhã, pelo menos todos os que já sonharam. Pois bem, há mais de um ano vivo como que acordando dessa Cidade...
Somente duas vezes resolvi namorar, ou acordar para quem prefere metáforas, e se entende que estar acordado é diferente de estar acordando. Ou ainda, somente duas vezes sonhei outro sonho, mais uma metáfora, mas essa dispensa explicação.
Outro sonho com a pessoa errada, em namoros que tinham tudo para dar errado, e deram. Pelo menos, por agora.
enviada por mim
30/03/2004 11:47
Vinte e três
Tenho feito vários textos descuidados, e não gosto disso... Como um pai que ama seu filho rebelde, assim amo esses textos: sem admiração.
Fiz textos inacabados, que agora estão presos no meu computador. Minha Placa Mãe andou vacilando, por isso o silêncio tomou conta desse espaço.
Perdi palavras não inventadas nos belos momentos que vivi ao lado (e envolto) da Nxxxxxx. Esse tempo não está para texto, até agora.
A P. Mãe continua calando a carta que desejo há meses publicar, se demorar mais talvez perca o sentido. Já não me lembraria...
Voltei a escrever sobre a alcalina; ela vai bem, obrigado. Eu é que ainda não me habituei; para escrever preciso do branco hipnótico.
Sobre esse papel riscado acabo dormindo, como um colegial que sempre acorda às sete da manhã. E confesso, minha letra nem eu entendo.
Quando era criança pedia a Deus para eu escrever rápido e com letra bonita. E Ele só me concede uma de cada vez.
Minha pressa de dizer faz com que eu escreva muito rápido. Isso significa que boa parte do que escrevi não tem significado algum...
Quando escrevo legivelmente, sou tão lento que na metade do parágrafo eu já mudo de idéia e o texto inacaba-se aqui mesmo.
enviada por mim
21/11/2003 14:29
Coisas a fazer
__ Oi?
__ Oi, sim, bom dia! (...) Ainda é dia?
__ É... Quase tarde...
__ Que seja boa tarde, então. Se você não se importar de trocar o bom dia por boa tarde, claro.
__ [sorri] Não, não me importo...
__ Agora tanto faz agora, não temos mais escolha mesmo. Já é meio-dia.
__ Já é? Tão rápido...
__ A culpa é desse mundo que não pára de girar, e deixa-nos viver feito tontos. Fique com os dois, não precisa trocar.
__ Muito obrigada por tanta generosidade [ri]. O que irá fazer hoje?
__ Tentar dominar o mundo, mas vou começar pela pedagogia.
__ [sorri] Dexter, está cabeçudinho agora, meu bem? Irei fazer minha parte, tentar dominar o Abel. Vou estudar com a Pepa para prova, mas quero lhe ver antes.
__ Está bem, Pink. Não sabia que faziam provas para dominar o Abel.
__ É a prova de admissão, sexta-feira.
__ Tanta burocracia para um golpe de estado, esse mundo está perdido...
__ De qualquer forma quero ver você hoje. O que você vai fazer antes de tentar dominar o mundo?
__ Irei terminar de ler um livro, estudar para prova de dominação do mundo, depois almoçar, começar a escrever uma carta de suicídio, coçar a cabeça, tomar um banho, ver você, namorar, ir a pedagogia, sair de lá o mais rápido possível, namorar mais um pouco e por fim tentar dominar o mundo.
__ [sorri] Carta de suicídio? Coçar a cabeça? Parece que você vai ter um dia interessante... Está bem, vou almoçar, depois a gente se vê. E TEM QUE SER ANTES dessa dominação toda e da coçadinha.
__ Ops! Não me agüentei, adiantei a cocadinha, sinto muito.
enviada por mim
17/11/2003 02:31
O passado tem o seu lugar.
__ Desculpe a demora, a Patrícia ligou!
__ Não demorou quase nada, e aproveitei para beber água.
__ Adoro ela!
__ Se você adora, também adoro. Geralmente as adoradas dos meus amados são adoráveis...
__ Ela realmente é adorável, você sabe.
__ Não sei, mas um dia irei saber.
__ Como não sabe?! Você conhece a Patrícia!
__ Que Patrícia?
__ Patrícia, Arraial de Cabo... Você é inacreditável! Você chegou a namorá-la!
__ Não me lembro de nenhuma Patrícia, menos ainda que eu tenha namorado, muito menos que seja de Arraial. Mas se ela ligar de novo, diga que penso nela, e que, às vezes, me pergunto por que não deu certo.
__ Você é um adorável canalha! Mas desculpe o palavrão, você é um fudido! Como pode dizer que tem boa memória, Seu cara de pau! Patrícia Duarte, mora em Laranjeiras, namorou o Álvaro, fez história na UFF...
__ Ah, lembro de uma menina de Laranjeiras... Acho que ela estava no seu aniversário... Bem que eu achei estranho. Ela me olhava com aquele olhar de quem já teve alguma coisa comigo, aquela menina do seu aniversário o nome dela é Patrícia... Que bom saber. Como eu dizia, lembro-me dela. Diga a ela que muitas vezes senti falta das nossas conversas... (A maior falta é na minha memória, claro.) Por que você disse de Arraial?
__ [gargalhada] Você não se lembra de que ficou com ela em Arraial, na nossa viagem?! Mariana, João, você e eu!
__ Renato, lembrar não me lembro, mas acredito. Acredito nela. E acreditar é mais importante do que lembrar, quero dizer que foi algo muito importante. Acredito que foi muito bom, o que prova que ela foi marcante na minha vida, mesmo que eu não me lembre, e isso a torna marcante de uma forma muito peculiar...
__ Cara, jura que você não lembra? Estou realmente preocupado!
__ Não me lembro de ter ficado com ela em Arraial! Lembro dela em Laranjeiras, e Botafogo, e CCBB, e num lugar verde, e num lugar lindo, e só, eu acho. Mas em nenhum momento me lembro de namorá-la. Não sei como beijava, e outras coisas.
__ Acho que você deve procurar ajuda, isso não é normal, filho! Fomos para Cabo Frio à noite, e você ficou com ela. Voltamos de Arraial, e vocês ficando... Em niterói, vocês namoraram. No Rio, conheceu Andréia, a ex dela, e tudo mais...
__ Hum, estou gostando dessa história, e não me lembro disso. Mas SEI que fiquei. Nossa, lembro-me do dia... Que a namorada dela apareceu, que coisa... Ela ainda gostava dela, e vice-versa... E eu, no meio disso tudo, gostava da Clarice. Por mim, juntava todo mundo.
__ Isso, continua, continua! Não perca o fio da meada...
__ Rê, eu tenho que tomar banho para encontrar a Nati. Já que você está me lembrando coisas, quem é João?!
__ Manda um beijo muito grande pra Nati! Inacreditável!!! João, que namorou a Mariana, e agora (há muito tempo) namora a Manuela Brêtas... Está bem? A memória está vindo?!
__ Claro Manuela, da minha turma na UFF. Que legal, o João namorou a Mariana, e foi para minha casa em Arraial... Caraca, é muito bom, Rê, tê-lo de volta na minha vida. Vivi o dobro de coisas no meu passado desde que você chegou!
__ ...de volta na sua mente. [ri] Da próxima vez que você disser que tem uma boa memória, vou lhe dar um cascudo!
__ É melhor que eu me vá agora, chega de surpresas por hoje.
__ A Lu falou que fica mais divertida através das minhas palavras! E você fica mais vivido com elas também! As palavras realmente têm poder! Não vá, ainda tem que se lembrar do dia em que usou saias!
__ Ah, não vem, não... Quando foi mesmo?
__ Mas eu estou falando sério! Tenho fotos para provar!
__ Sei que não fiz. Não me lembro: sei. E saber-se é mais importante do que lembrar-se.
__ Drag-queen, saia e peruca! Juro! Foi no carnaval de Barra do Piraí: saia e perucas! E desfilou junto ao tio-travesti da Camila!
__ Rê, realmente tenho que sair, nunca fui a um carnaval em Barra do Não-sei-o-quê.
__ Está maluco!? Na casa da Vó de Camila!!! Por favor, me diz que está brincando...
__ Realmente, estou zuando. Lembro dessa viagem. Foi muita comédia: você ver o nascer do sol, com o tio-travecão!
__ Vendo COM o tio-travecão é o caramba! Ele que foi ver comigo!
__ Claro que me lembro!
__ Correção: vendo o nascer do sol fugindo do tio-travecão!
__ Foi o melhor carnaval da sua vida!!! Nunca o nascer do sol foi tão sentido para você, disso eu me lembro. Eis que o sol crescia atrás das costas largas da montanha...
__ Correção: Tiago disse: Foi o melhor carnaval da minha vida!!!
__ Correção: Renato disse: Vendo o nascer do sol fugindo com o tio-travecão!
__ Você me paga, se lembrar dessa história!
__ [ri]Ah, antes que eu vá, já que você está me lembrando coisas: Quem é Mariana!?
enviada por mim
11/11/2003 12:35
"Cada palavra é uma borboleta morta espetada na página:
por isso a palavra escrita é sempre triste..."
Mário Quintana
Quando li sua carta, desejei que cada palavra sua fosse eterna. Não era, passava adiante. Letra a letra baixava a sepultura de luto alcalino, vestindo o azul de traço afiado. Senti, enterrando-se em mim, a saudade das palavras mortas.
Ela e ele dizem eu te amo.
Ela escreve em meio ao embalo. Quando vem aquela inspiração, a vontade é mais rápida do que os riscos severos na folha. E pede desculpas por ser desorganizada. Com pressa as idéias se exprimem entre as palavras. Ele escreve com calma, nunca quando está inspirado. Nele as palavras têm um gosto de fruto prematuro que amadurece lentamente na língua. Para ela, escrever é refúgio. Para ele, é trabalho.
Ela é a bela poesia. Ele, boa prosa.
enviada por mim
09/11/2003 05:29
Vinte e cinco parágrafos em um.
Vi o finzinho de Avassaladoras, não gostei dos atores. Ninguém sabe que o roteirista gravou conversas na rua e transcreveu para o filme, o resultado: ficaram muito artificiais, as personagens tornaram-se caricaturas. Não sei se o roteirista fez isso, mas é o que me parece. Ficou horrível. Esses cinco minutos finais me mostraram que os diálogos reais são esteticamente feios, e as pessoas se repetem na vida. Que poesia se faz antes ou depois, nunca durante. E que ela e eu somos em tudo poesia. Mas a vida não é bela, a beleleza está no que ela faz com a vida.
(havia vinco e cinco, viraram um.)
enviada por mim
04/11/2003 04:15
Ontem estava em casa quando imaginei que você estivesse em algum lugar do Rio, ou talvez pela hora já teria voltado para Niterói. Não me importava de verdade com isso, apenas pensava muito em você. Pensei tanto sobre a conversa que tivemos durante a madrugada de domingo... E não cheguei a lugar algum com essas idéias, durante horas me lembrava dos momentos em que estivemos juntos. Tive boas lembranças para passar um dia inteiro em casa sem um desgosto sequer, e dessa forma descobri ontem que nunca mais sentiria tédio. Vivi com você toda a saudade que preciso para ser, enfim, feliz na solidão. Eu lhe amo.
enviada por mim
27/10/2003 14:06
"Não tenho medo de sofrer por amor.
Se sobrevivi a Wxxxxxx,
sobrevivo a qualquer um!
Depois dele, tive outros amores,
mas nenhum como Gxxxxxx.
E sobrevivi.
Cheio de hematomas, sangue e toda dor,
mais cheio de flores, perfumes e gostos!
Amar é sempre físico?
Segundo Freud, sim.
Sempre libido.
Não acredito num amor que não tenha odores."
Rxxxxx.
enviada por mim
21/10/2003 12:38
Despretensioso diálogo...
"eu vou sair da beira do abismo,
e dançar, e dançar, e dançar,
a tristeza é uma forma de egoísmo,
eu vou te dar, eu vou te dar, eu vou"
AA
__ É, mas vou ficar aqui... Se não dormir sobre o teclado, dou um alô!
__ Está bem, estarei aqui matando meus neurônios por não dormir.
__ Tem que dormir, menino! O que fica fazendo, além de falar comigo a noite inteira?
__ Só ouço música, leio coisas, livros, poesia, literatura, ou artigos e ensaios.
__ A noite inteira? Quando dorme, então, de dia?
__ De manhã, durmo, e acordo umas nove horas, talvez dez. Mas agora começou a faculdade de novo. Terei que ir contra a natureza geral das coisas humanas, que é ficar acordado a noite toda e dormir pela manhã. Irei dormir a noite, e estarei na faculdade de manhã.
(Duas horas depois:)
__ Não existe o texto inicial no blog da Lu (Vou dizer isso agora antes que me esqueça)
__ Ué...
__ Nunca teve.
__ Chato!
__ Sinto muito, não queria acabar com sua noite, mas tive um surto de memória, resolvi aproveitar, e dizer.
__ O mais engraçado é que conversamos sobre isso há três meses... Já falei, tem que andar com um bloquinho para anotar os pensamentos!
__ Eu fazia isso! Mas um dia esqueci o bloquinho em casa e parei de fazer.
__ Amarra na cueca!
__ Esquece! Minha memória não é tão ruim. O problema é o volume de informação. Além do mais, o teste na revista Veja disse que tenho boa memória.
__ Ah, ha! A Veja é o ovo da direita no Brasil! - Cacá Diegues. Eles querem que você ache que tem memória boa para prejudicar a revolução!
__ Revolução?! Não me lembro de revolução nenhuma, e se não me lembro é porque não existe, se existisse, me lembraria, pois tenho boa memória. Veja, a Veja que disse!
__ Xi... Deu tilt.
__ Chega dessa bobagem...
__ Tem que esquecer de que tem boa memória!
__ Mas, é sério, tenho boa memória, só esqueço coisas cotidianas, as outras coisas, não!
__ É mesmo?
__ O problema é que não existem coisas que sejam cotidianas, na minha vida.
__ Então, o de que você esquece?
__ Ops! O problema é que não existem coisas que NÃO sejam cotidianas, na minha vida. Esqueci de colocar o "não" na frase.
__ Burro! E esquecido! Esqueceu o "não"! Burro!
__ Ah, e antes que me esqueça: viva a revolução! Abaixo a ditadura!
enviada por mim
04/10/2003 04:49
Proposal.
Niterói, agosto.
L,
Você merece uma poesia complexa. E só me propôs uma cartinha. Não esqueci disso, nem de você. Não poderia deixar |